Foto: Divulgação
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What Design Can Do e o poder de transformação do design

O design está em todos os lugares: no que fazemos, no que vemos, no que consumimos, por onde andamos. O evento What Design Can Do, em sua segunda edição em São Paulo, discutiu qual a contribuição que o design pode oferecer às diversas questões contemporâneas, dos refugiados à igualdade de gênero.

Em dois dias, reuniu renomados profissionais apostando na interdisciplinaridade e diversidade dos palestrantes. Foram muitas falas que convidaram a plateia a refletir, aprender, repensar e admirar os bons trabalhos que estão sendo desenvolvidos pelo mundo.

Logo na abertura, o idealizador do evento Richard Van der Laken apresentou o design como promessa. Segundo ele, o desafio é criar uma comunidade capaz de interferir em aspectos humanitários urgentes. Assim, o WDCD foi se transformando em ativismo mais que em conferência.

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Richard Van der Laken na abertura do What Design Can Do. Foto: Divulgação

A interferência na cidade e a maneira como as pessoas a ocupam foi tema de duas palestras. Em uma delas, o holandês Jan Knikker, responsável pelo projeto do Market Hall em Roterdã, contou sobre o projeto da maior feira coberta da Holanda. Como parte de um plano para revitalizar o centro e assim diminuir problemas com violência e drogas na região, o escritório de arquitetura de Jan Knikker, o MVRDV, foi responsável por trazer uma solução. Percebendo que o maior movimento era nos dias da feira livre, pensou-se em fazer uma grande feira coberta com unidades habitacionais. A obra foi um sucesso e modificou a relação dos habitantes com o centro da cidade.

Na outra, Aline Cavalcante, da empresa social oGANGORRA, falou sobre mobilidade e cicloativismo. Defensora das ciclovias, a alagoana moradora de São Paulo acredita que elas humanizam a cidade, elencando uma série de argumentos favoráveis às bikes: “Eu adorava andar de bicicleta, era um prazer que queria compartilhar com outras pessoas. A ciclovia não se trata apenas da questão da poluição, é uma forma mais inteligente de ocupar o espaço público. Se as pessoas estão mais na rua, isso também faz a cidade mais segura. A bicicleta é uma ferramenta de liberdade e autonomia”. Uma das ações promovidas pelo oGANGORRA é a doação de bikes para refugiados, permitindo a eles um maior acesso à cidade.

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A cicloativista Aline Cavalcante. Foto: Divulgação

Além de Aline Cavalcante, outras mulheres inspiradoras compartilharam suas experiências. Elaine Ramos, uma das sócias da editora Ubu, Selly Raby Kane, estilista senegalesa, Bebel Abreu, fundadora da Mandacaru e da Bebel Books, Roxana Martínez, designer gráfica colombiana, foram algumas delas. Duas das sessões especiais trataram especificamente de como o design pode ajudar a combater a violência contra a mulher.

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Bebel Abreu fala sobre o empoderamento feminino. Foto: Divulgação

A biomimética, ou seja, a natureza como fonte de inspiração, foi o assunto de outras palestras. Marko Brajovik defendeu uma arquitetura sensorial, que nos tira da zona de conforto, para que possamos sentir o meio ambiente de fato, com empatia. Para ele, é fundamental se deixar influenciar pela natureza, já que ela é um designer que há bilhões de anos erra e acerta.

Já Fred Gelli contou que se inspirou no Pão de Açúcar e nas curvas do Rio de Janeiro para criar o logo tridimensional das Olimpíadas Rio 2016. Fred acredita na força e no poder do design para mudar o mundo,  contribuindo para estabelecer novas conexões. Com seu trabalho mostrou para todos o que é o “borogodó” brasileiro, resultado da nossa diversidade, energia contagiante e capacidade de fazer muito com pouco. O designer também foi responsável pelo logo e cerimônia de abertura das Paralimpíadas e reiterou que o sucesso dos megaeventos contribuiu para elevar a autoestima do nosso povo.

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Fred Gelli discute a importância da natureza para a criação do logo das Olimpíadas. Foto: Divulgação

O evento também contou com falas dedicadas aos refugiados. André Naddeo, jornalista brasileiro, falou direto de Atenas e mostrou ao vivo um pouco do seu trabalho com refugiados sírios, que consiste em ensinar técnicas jornalísticas para que eles possam por si mesmos contar suas versões do que vivem ou viveram. Jan Rothuizen, artista multimídia holandês, relatou sua experiência em um campo de refugiados, que gerou o mapa interativo Refugee Republic, que mostra online a estrutura do Campo Domiz, no norte do Iraque.

Com muito conteúdo debatido por profissionais que buscam sentido no que fazem, o What Design Can Do foi um sucesso! A ZAC se orgulha de ter participado deste evento e convida nossos clientes e amigos para prestigiar uma próxima edição, que com certeza será tão envolvente e relevante quanto esta.

 

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