Uncategorized

Conjunto Nacional: a obra-prima de David Libeskind

Uma construção imponente que ocupa um quarteirão da avenida mais famosa da cidade. Uma mistura de residências, escritórios, serviços, comércio e lazer. Um microcosmo que representa a própria metrópole.

O Conjunto Nacional, no burburinho da Avenida Paulista, observa os apressados executivos, os carros indo e vindo, os turistas que o contemplam, admirados. Abrindo suas janelas, vê também os moradores dos Jardins, que tranquilos caminham pelo bairro.
Ele é um edifício único, singular, resultado de uma improvável parceria que uniu um empresário visionário com um surpreendente jovem talento da arquitetura. É um símbolo de modernização e verticalização da cidade.

conjunto-nacional

Foto: Bruno Santos/  Folhapress

Na década de 50, o terreno ocupado hoje pelo Conjunto Nacional abrigava um  belíssimo casarão art noveau de autoria de Victor Dubugras, resquício do passado glorioso dos barões do café. A área foi comprada pelo empreendedor José Tijurs, que tinha ideias grandiosas para o lugar. Ele desejava transformar a Avenida Paulista em uma Quinta Avenida e para tanto, lançou um concurso que escolheria o projeto para realizar seu plano de construir um majestoso edifício.

O primeiro projeto recebido foi do arquiteto Gregori Warchavchic, um dos pioneiros da arquitetura modernista do país que à época já era considerado um experiente e renomado profissional. Tijurs surpreendeu, no entanto, quando optou pelo recém-formado David Libeskind, que com apenas 25 anos idealizou o Conjunto Nacional.

Marcelo Libeskind, filho de David, destaca a qualidade profissional do pai e o conhecimento profundo que extrapola a área de formação: ”Hoje o arquiteto não entende de engenharia e nem o engenheiro entende de arquitetura. Meu pai era um gênio, artista, arquiteto, ilustrador e pintor. O Tijurs soube orientar e fazer uma pressão positiva, colocar rédeas mesmo, pois essa era uma obra gigantesca, que tinha interesses econômicos.”

005

Foto: Acervo Familiar Digital de Marcelo Libeskind

Marco da verticalização da Paulista, o Conjunto Nacional baseia-se em duas lâminas: uma horizontal com dois pavimentos e uma vertical, com 25 andares. A transição de uma para o outra se dá por meio de uma laje que recebe um  terraço-jardim, acessado através de uma rampa circular.

129

As rampas helicoidais do Conjunto Nacional. Foto: Acervo Familiar Digital de Marcelo Libeskind

Os números do Conjunto Nacional comprovam sua grandiosidade: por lá circulam diariamente 30 mil pessoas e trabalham 10 mil. Possui no seu interior 62 lojas e 466 empresas. Conta ainda com dois subsolos de estacionamento, que atualmente têm capacidade para 800 carros.

Vale a pena conferir de perto essa obra prima da arquitetura. Aproveite o mês de férias para um passeio completo pelo Conjunto Nacional, com direito a sorvete no Ben&Jerry’s, uma boa leitura na Livraria Cultura e para fechar com chave de ouro, uma visita à exposição “88 anos David Libeskind– Arquitetura Atemporal”, que fica em cartaz até o dia 24 de dezembro de 2016. Esta é uma chance única de aprender sobre o autor em sua própria obra!

14100102

O falecido arquiteto David Libeskind, que completaria 88 anos, em seu escritório com o projeto do Conjunto Nacional. Foto: Danilo Verpa/ Folhapress

Comentários

comentários

Standard

Leave a Reply